segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Domingo

Desejei tanto ũa vossa, que cuido que por a muito desejar a não vi; porque este é o mais certo costume da Fortuna: conseguir que mais se deseje o que mais presto se há-de negar.

Luís Vaz de Camões. Carta da Índia

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pausa para publicidade

—A historia —dixo Stephen— é un pesadelo do que
intento acordar.
Ulises. James Joyce





Tradución ao galego de
Antón Vialle
Eva Almazán
Xavier Queipo
María Alonso Seisdedos


(Só falarei disto en presenza do meu psiquiatra)

sábado, 5 de outubro de 2013

domingo, 29 de setembro de 2013

Epi-paf-fiu

As moscas do outono
no café da Lenta
não incomodam tanto
o poema
que não possam ser escritas
antes de mortas.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A maldición

Contén o alento
e mergulla de novo
evitando sobre todo
que o axente corrosivo
che queime os pulmóns.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Presente de outono







nóssomos



Felicidade em doses pequenas para não atrapalhar a chuva

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

sábado, 7 de setembro de 2013

A morada dos soños





Convento de San Paio
Vila Nova de Cerveira

Interior. Día

Abro a gabeta das palabras
e só encontro
un amencer en sombras.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A primeira pedra

É sobre este silêncio
que construirei
a tua tristeza.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Cabodano inverso

Mórrenme as mans
e nelas
gangrénase a alma.

sábado, 15 de junho de 2013

Contos com história

De que fôsse bem tratado, discordar não havia, pois lhe faltavam carrapichos ou carrapatos, na crina -reta, curta e levantada, como uma escôva de dentes. Agora, para sempre aposentado, sim, que ele não estava, não. Tanto, que uma trinca de pisaduras lhe enfeitava o lombo, e que o João Manico teve ordem expressa de montá-lo, naquela manhã. Mas, disto último, o burrinho não recebera ainda aviso nenhum.

João Guimarães Rosa. Sagarana. "O burrinho pedrês". Livraria José Olympio Editôra. Rio de Janeiro. 1956 (4ª ed.)



















Este livro já conheceu três continentes: nasceu no Brasil, viveu em Angola, descansou em Portugal e cinquenta anos depois revive, nas minhas mãos, na Terceira Margem do Minho.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Itinerário













E fugir só com o peso da liberdade às costas...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

Ligações (muito) perigosas

Desde há alguns anos mantenho com Portugal ligações várias: a cultura, algumas pessoas, o azeite de Trás-os-Montes, o vinho alentejano (tinto, sff!), as cerejas de Resende... Mas desde ontem, pela módica quantidade de 10'20€ (ainda sobraram 0'10€ na carteira, felizmente não me vi obrigada a penhorar a bicicleta) tenho também uma ligação com o Estado português: número de contribuinte, pessoal e intransmissível (pois é: estou tramada).

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Panorama

Na marxe en penumbra á espreita,
coa paciencia infinda do futuro,
as farpas do abismo ou as mans da ponte.

domingo, 19 de maio de 2013

Universo

Papuxa das amoras:
 arce xaponés - eu:
Ferreiriño subeliño.

sábado, 18 de maio de 2013

Intervalo

Entre o sol e a lúa
un fío de luz
que se apaga ou arde.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Fuga

Algúns morren pola noite,
nacen outros.
O día transcorre indiferente.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Boa nova




Oración

Escribir tres liñas cada noite
aos pés da cama
e pór na fin o punto (e seguido).

domingo, 5 de maio de 2013

Maio

O recendo do azar na tarde
pintou-me nos ollos un asombro
de leves bolboretas brancas.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Locus amoenus











Porque hai días en que o que máis apetece é mandar o choio a cagar de campo.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Na hora do chá

Este blogue não está aberto a leitores convidados

Parece que foi convidado para ler este blogue. Se pensa tratar-se de um erro, deverá contactar a autora do blogue e solicitar o desconvite.

sábado, 13 de abril de 2013

Negrume

Já vejo o fim do túnel. Não se vê é luz.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O retorno, o eterno

Passa-se a ponte no retorno
e nada é como foi na ida
flui o rio tão heráclito
—sabem-o as águas distraídas—
e são outras as nuvens e as cores
(os verdes, os castanhos, os amarelos),
até a cinza da pedra é outra
e maior a sua idade,
menor o seu tempo.
Tique-taque tique-taque
diz o pedalar e a roda vira-vira
nunca igual a si própria
jamais idêntica a diferença nenhuma.

Não me detenho, nada me detém
(a estática é uma postura impossível),
paro na varanda e a marcha continua
comigo dentro, sem mim de fora:
gritei e no lugar do grito já é silêncio.
Fui e no lugar onde fui sou sombra:

nunca regresso.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A máscara do dia

Na noite é mais lúcida a mente
por quanto na escuridão vê-se
o terror olhos nos olhos.

Imergência

Nada aprendi do silêncio
senão a morar nele: mortalha
que dá vida, cova que ampara.